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Universidade Federal de Goiás
Mulheres empreendedoras

Empreendedoras goianas têm renda 37% menor que homens

Em 31/03/25 16:22. Atualizada em 01/04/25 13:58.

Estudo do Lapei (Face/UFG) em parceria com o Sebrae revela que mais mulheres têm se reconhecido como empreendedoras

 

Perfil empreendedora

Expositora de empresa de cosmético em evento da Colettiva Preta, que apoia negócios encabeçados por mulheres negras (Foto: Colettiva Preta)

 

Kharen Stecca

Uma pesquisa da Universidade Federal de Goiás (UFG) revela que a desigualdade entre homens e mulheres também atinge pessoas que empreendem no estado: mulheres empreendedoras têm uma renda mensal 37% menor que os homens empreendedores.

O resultado é parte da quinta edição do estudo Perfil da Empreendedora Goiana, realizado pelo Laboratório de Pesquisa em Empreendedorismo e Inovação (Lapei), da Faculdade de Administração, Ciências Contábeis e Ciências Econômicas (Face) da UFG, em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Estado de Goiás (Sebrae Goiás).

Goiás possui aproximadamente 353 mil empreendedoras, com média de idade de 42 anos. Segundo o estudo, a renda média dessas empreendedoras é de R$ 2.754 mensais, enquanto homens na mesma condição recebem R$ 4.361.

Empreendedoras em casa

Nesta quinta edição é apresentado um recorte especial sobre as empreendedoras que atuam em suas próprias residências. O relatório mostra que, a cada dez mulheres, quatro empreendem em casa. Entre os homens, essa proporção é de um a cada dez. O retorno financeiro nesses casos também é menor: a renda média mensal é em torno de R$ 1.755 para elas, enquanto entre os homens é de R$ 3.663.

"Isso não é por acaso, eles têm em geral mais tempo para se dedicar ao trabalho em comparação ao trabalho feminino", afirmou a reitora da UFG, Angelita Pereira de Lima, no evento de apresentação da pesquisa.

"Fazer a unha, uma comida, uma roupa, por muito tempo não era considerado empreender e nem uma renda. Era uma ajuda dentro de casa", comentou a professora. Esse cenário mudou: "Isso não é uma ajuda, é uma fonte de renda e, para muitas famílias, a única".

Angelita explicou que as mulheres empreendem em casa principalmente para conciliar o cuidado da casa, dos filhos e dos idosos. "Às vezes isso é uma escolha, às vezes não, mas nem sempre esse trabalho é realizado em condições adequadas. Portanto, conhecer esse perfil auxilia instituições como a UFG, o Sebrae e também o governo a pensar políticas públicas para as mulheres".

Dessas mulheres que empreendem em casa, a maioria, 60%, são pretas e pardas, e 28% delas têm graduação – a maioria tem ensino fundamental e médio. O comércio de vestuário, cabeleireiras, manicure e pedicure, o comércio varejista e alimentação são as atividades econômicas com maior percentual de atuação nesse grupo de empreendedoras.

Em relação à formalização, apenas 18% das empreendedoras possuem Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ).

 

Leia também: Engenharia Civil: menos de 20% das bolsas de produtividade do CNPq vão para mulheres

 

Perfil empreendedora

Reitora da UFG, Angelita Pereira de Lima, apresentou os resultados do estudo durante o evento Delas – Mulher de Negócios (Foto: Silvio Simões)

 

Desafios

Alguns dos desafios encontrados pelas mulheres que operam os seus negócios em casa apontados pela pesquisa são a separação entre despesas pessoais e de negócio; equilíbrio entre as atividades do negócio, a rotina doméstica e as demandas familiares; improvisações e limitações das infraestruturas da casa para operação do negócio; desconhecimento de regras e legislações sobre a abertura e manutenção de um empreendimento em casa.

Por outro lado, uma mudança é que as mulheres já se reconhecem como empreendedoras, o que não ocorria antes. A partir desse reconhecimento é possível criar canais de apoio a essas mulheres, bem como fomentos específicos.

Para a pesquisadora do Lapei, Daiane Martins Teixeira, a quinta edição do Perfil da Empreendedora Goiana consolida a parceria entre UFG e Sebrae Goiás e fortalece a pesquisa como uma fonte essencial de informação.

"Este estudo tem servido como referência tanto para o Sebrae Goiás quanto para outros atores do estado na tomada de decisões e na criação de ações em prol das mulheres empreendedoras. Hoje eu acredito que avançamos nas respostas, mas ainda há muito a ser feito, tanto em termos de informação quanto de ações", afirma Daiane.

Acesse aqui o estudo completo Perfil da Empreendedora Goiana 2025.

 

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Fonte: Secom UFG

Categorias: Economia Humanidades Face Notícia 2