Gestão e inovação: o trabalho do Cett-UFG na gestão de redes de EPT
Centro de Educação, Trabalho e Tecnologia, ligado à UFG, gerencia a Escola do Futuro e o Qualifica Goiás
Moisés Cunha
Recentemente, tive acesso a uma pesquisa intitulada Democratização da Educação Profissional e Tecnológica (EPT) no Brasil, feita pelos economistas Alysson Portella e Thiago Patto. A investigação analisou cenários da EPT, concluindo que parte da população em situação de vulnerabilidade ainda tem dificuldade de acesso ao ensino profissionalizante, e também descortinou as medidas tomadas por redes bem-sucedidas na modalidade educacional.
Tais dados comprovam que o Centro de Educação, Trabalho e Tecnologia (Cett), ligado à Universidade Federal de Goiás (UFG) e em atuação desde agosto de 2021, tem tomado o caminho correto na gestão de redes de educação profissionalizante. Atualmente, o Cett-UFG gerencia a Escola do Futuro de Goiás (EFG), ligada à Secretaria de Estado de Ciência, Inovação e Tecnologia (Secti), e o Qualifica Goiás, ligado ao programa federal Manuel Querino de Qualificação Social e Profissional. A EFG está sob a gestão do Cett desde o começo da atuação do órgão e os cursos do Qualifica Goiás tiveram início no primeiro semestre de 2025.
A Escola do Futuro tem seis unidades, sendo duas em Goiânia (uma delas é a EFG em Artes Basileu França) e quatro no interior do estado, além de 13 Unidades Descentralizadas de Educação Profissional e Inovação (Udepis) — uma em Goiânia e as demais no interior —, que oferecem cursos técnicos, ambientes de inovação e coworking, e serviços tecnológicos, gerando oportunidades de empreendedorismo e inserção no mercado formal de trabalho para jovens e adultos. A excelência do trabalho pode ser comprovada pelos números: entre 2022 e 2025, houve crescimento de mais de 23% no número de alunos e de mais de 200% nas atividades de inovação realizadas nos ambientes tecnológicos.
Fazendo a análise do último ano, vemos que foram ofertados 323 cursos e efetivadas 9.563 matrículas. Além disso, as EFGs tiveram 423 projetos aprovados, assegurando consultoria para diversas áreas, e promoveram 43 eventos, proporcionando divulgação da rede de ensino e apresentando projetos feitos pelos docentes e discentes. De acordo com uma pesquisa feita pela Gerência de Projetos do Cett-UFG, 83,49% dos estudantes se dizem satisfeitos com a infraestrutura física das escolas; 83,49% dos discentes recomendariam os cursos para amigos ou parentes; 96,07% dos discentes acreditam que o curso pode ajudar a conseguir ou melhorar o emprego atual; 87,03% estão satisfeitos com os componentes cursados no período; e 95,25% dos egressos se dizem satisfeitos com o curso realizado.
Desde agosto de 2025, a EFG passou a oferecer um incentivo a mais à permanência dos alunos em situação de vulnerabilidade social: um auxílio financeiro mensal, assegurado por meio de uma parceria da Secti com o programa Goiás Social. No período de seis meses foram investidos mais de R$ 5 milhões em mais de 16 mil alunos. O valor varia conforme o tipo de curso: R$ 300 para cursos de Qualificação e Capacitação Profissional, R$ 350 para cursos Técnicos de Nível Médio e R$ 400 para Cursos Superiores de Tecnologia.
A iniciativa reforça o papel social da educação, permitindo que mais goianos tenham acesso à formação de qualidade nas áreas de tecnologia, inovação e gestão. Para receber o benefício, é preciso ter matrícula ativa nas EFGs ou nas Udepis, manter frequência mínima de 75% e nota igual ou superior a 6,0, além de atender a pelo menos um critério socioeconômico: estar inscrito no CadÚnico, possuir renda familiar per capita inferior a dois salários mínimos ou ser oriundo de escola pública.
Já o Qualifica Goiás tem tido a parceria das prefeituras de cidades do interior para a operacionalização dos cursos. No ano passado foram captadas 1.250 vagas para Goiás, distribuídas em 43 cursos, como, por exemplo, barbearia, cuidados com idoso, enfermagem no atendimento, gastronomia, manicure e pedicure, massoterapia e suporte e manutenção de computadores, promovendo inclusão e diversidade no mercado de trabalho do estado. Com impacto crescente, o Qualifica Goiás vai seguir, em 2026, transformando vidas e ampliando o acesso à educação profissional.
Critérios
De acordo com o levantamento realizado por Portella e Patto, para que a Educação Profissional e Tecnológica (EPT) alcance efetivamente as populações minorizadas, é fundamental que suas escolas estejam localizadas em bairros e municípios com maiores índices de vulnerabilidade social, que os cursos oferecidos estejam alinhados às tendências do mundo do trabalho e que haja uma estratégia de divulgação eficiente, capaz de garantir que as informações cheguem às pessoas em situação de vulnerabilidade.
Esses critérios foram levados em consideração para a implementação das unidades da EFG em Goiás. Tanto na capital quanto no interior, as EFGs que oferecem cursos de tecnologia se encontram em bairros desfavorecidos economicamente. No caso da EFG Basileu França, a unidade se encontra no Centro de Goiânia, que conta com uma boa estrutura de transporte coletivo. Além disso, há uma divulgação maciça dos cursos nas redes sociais e nas mídias tradicionais e, nas cidades do interior, ainda é feita a divulgação por meio de carro de som.
Outra rede de educação profissional que esteve sob a gestão do Cett-UFG do segundo semestre de 2021 a dezembro de 2025 foi o Colégio Tecnológico de Goiás, que conta com 17 unidades, sendo uma na capital e as demais em cidades do interior. Nesse período, o Cotec entregou certificados de conclusão a cerca de 140 mil pessoas. Além disso, os dados sobre a condição econômica desses estudantes mostram que 99,96% vieram de escolas públicas e 95,33% faziam parte de algum programa social, sendo 51,08% do Bolsa Família, 24,15% do Goiás Social e 16,92% do Cotec Social.
Política pública que beneficia as juventudes por estar alinhada às tendências do mundo do trabalho, a EPT também é uma importante estratégia para o crescimento do Brasil. Caso o acesso à EPT triplique, como recomendado pelo Plano Nacional de Educação, a previsão do Ministério da Economia é que o impacto no PIB possa chegar a 2,32%, devido ao aumento no emprego e na renda gerados pela formação profissional dos jovens.
Moisés Cunha é professor da Faculdade de Administração, Ciências Contábeis e Ciências Econômicas (Face) da Universidade Federal de Goiás (UFG) e diretor-geral do Centro de Educação, Trabalho e Tecnologia (CETT/UFG).
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Fonte: Cett-UFG
Categorias: artigo Institucional Cett-UFG






