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Universidade Federal de Goiás
8 de janeiro

Estudo aponta associação entre Telegram, Jornal Nacional e violência política no Brasil

Em 20/02/26 09:37. Atualizada em 20/02/26 09:57.

Pesquisa da UFG revela que hábitos de consumo de mídia estão relacionados ao crescimento de comportamentos políticos extremistas no país

 

8 de janeiro
Episódios de violência política, como os ataques de 8 de janeiro de 2023 às sedes dos Três Poderes, marcam o radicalismo partidário no Brasil | Foto: Joedson Alves/Agência Brasil

 

Da Redação

Uma pesquisa desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Comunicação (PPGCOM) da Faculdade de Informação e Comunicação da Universidade Federal de Goiás (FIC/UFG) identificou associação estatisticamente significativa entre o consumo de conteúdo político no Telegram (aplicativo de mensagens instantâneas) e maior predisposição ao apoio à violência política no Brasil. O Jornal Nacional também apresentou efeito relevante em um dos modelos estatísticos aplicados.

A dissertação, intitulada Comunicação e radicalismo partidário no Brasil: hábitos de consumo de mídia, bolhas informacionais e comportamento político extremista, foi desenvolvida pela jornalista Aline Santos, sob orientação do professor Magno Medeiros (FIC) e coorientação do professor Pedro Mundim (FCS). A pesquisa utilizou dados da survey nacional Polarização Política – UnB, realizada presencialmente em junho de 2024 com 2.506 entrevistados.

Para examinar a relação entre mídia e comportamentos extremistas, o estudo concentrou-se em uma subamostra de 1.221 respondentes que opinaram sobre violência política. A análise foi conduzida por meio de modelos estatísticos — regressão linear (OLS) e regressão logística (Logit) — que permitem verificar se há associação entre o uso de determinados meios de comunicação e o apoio à violência, além de estimar a intensidade dessa relação.

Telegram

Polarização
Coeficientes à direita do gráfico indicam maior apoio à violência política | Imagem: Santos, 2025

O Telegram foi a única plataforma digital que apresentou significância estatística consistente nos dois modelos. O resultado sugere que dinâmicas como bolhas informacionais, câmaras de eco e exposição seletiva, intensificadas por sistemas de recomendação algorítmica e circulação rápida de conteúdos, podem contribuir para o fortalecimento de posições mais radicalizadas.

Segundo Aline, o ambiente da plataforma favorece a formação de comunidades ideologicamente homogêneas, com menor exposição a perspectivas divergentes, o que pode ampliar percepções de conflito e legitimar discursos mais extremos.

Polarização e contexto democrático

A relevância da pesquisa se amplia diante do cenário brasileiro recente, marcado por episódios de violência política, como os ataques de 8 de janeiro de 2023 às sedes dos Três Poderes, em Brasília, além do aumento de ameaças, agressões e tensões motivadas por disputas partidárias.

O estudo estabelece uma distinção conceitual importante entre polarização política e radicalismo partidário, aprofundando a compreensão desses fenômenos no contexto brasileiro. A polarização é compreendida como o acirramento da divisão ideológica entre campos políticos opostos. Já o radicalismo partidário envolve um passo além: a adoção, normalização ou legitimação de condutas extremistas, incluindo a aceitação do uso da violência como instrumento de disputa política.

Embora fatores econômicos e crises institucionais também influenciem esse contexto, os dados indicam que os padrões de consumo informacional são um componente relevante para compreender o avanço de comportamentos políticos extremistas no país.

Efeito da mídia tradicional

Além do Telegram, o Jornal Nacional, principal telejornal da TV Globo, apresentou efeito estatisticamente significativo no modelo de regressão logística. O resultado pode estar relacionado a fenômenos como o "consumo hostil", que ocorre quando o público interpreta conteúdos sob forte viés partidário, e à "saliência de conflito", caracterizada pela centralidade das disputas políticas na percepção dos espectadores.

Diferentemente dos Estados Unidos, onde há ampla produção acadêmica sobre mídia e radicalização política, o Brasil, segundo a pesquisadora, ainda possui escassez de estudos empíricos que correlacionem hábitos de consumo de mídia e radicalismo partidário com base em dados estatísticos.

Para a autora, compreender essas dinâmicas é essencial para qualificar o debate público, fortalecer políticas de enfrentamento à desinformação e contribuir para a proteção da democracia brasileira.

Acesse aqui a dissertação Comunicação e radicalismo partidário no Brasil: hábitos de consumo de mídia, bolhas informacionais e comportamento político extremista.

 

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Fonte: FIC

Categorias: Comunicação Humanidades Fic Destaque Notícia 1