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Universidade Federal de Goiás
Pesquisa Setor Oeste

Pesquisa reconstrói processo de formação do Setor Oeste, em Goiânia

Em 12/03/26 15:12. Atualizada em 12/03/26 15:12.

Espaços públicos, como parques e feiras, atuam como elementos estruturantes da identidade do bairro

 

Pesquisa Setor Oeste
Parque Lago das Rosas, que também abriga o Zoológico de Goiânia, em meio a edifícios de alto padrão | Foto: Wikimedia Commons

 

Thiago Borges

Uma pesquisa da Universidade Federal de Goiás (UFG) sobre o complexo processo de formação e consolidação do Setor Oeste, em Goiânia, destaca como seus espaços públicos atuaram como elementos estruturantes da paisagem urbana e da identidade do bairro. A dissertação de mestrado de Lyvia Caroline Pires, desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Projeto e Cidade, da Faculdade de Artes Visuais (FAV), buscou reconstruir a trajetória histórica do Setor Oeste. A pesquisa foi orientada pelas professoras Eline Caixeta e Ana Amélia Ribeiro.

O Setor Oeste começou a se formar nas décadas subsequentes à inauguração de Goiânia. Embora sua previsão inicial estivesse apenas em esboço no plano de Attílio Corrêa Lima, o projeto foi detalhado entre 1940 e 1942. A pesquisa revela que, apesar de sua relevância, a história do bairro permanecia fragmentada, registrada de forma dispersa em recortes de jornais, fotografias e relatos parciais.

Para compreender a complexidade morfológica e social do bairro, a investigação se concentrou em quatro espaços públicos representativos: a Praça Tamandaré, a Praça do Sol, o Bosque dos Buritis e o Parque Lago das Rosas.

O Bosque dos Buritis, o mais antigo patrimônio paisagístico de Goiânia, sofreu uma redução de cerca de 70% de sua área original devido à especulação imobiliária. Já a Praça Tamandaré consolidou-se nas décadas de 1970 e 1980 como um dos principais pontos de encontro da juventude e era notória pelos "rachas" automobilísticos, um fenômeno que motivou uma reurbanização em 1988 para alterar seu traçado e reorganizar o espaço. O Parque Lago das Rosas, por sua vez, foi inicialmente concebido como Horto Florestal e, mais tarde, abrigou o Zoológico de Goiânia.

Lyvia explica que a escolha dos espaços resultou de uma leitura inicial do Setor Oeste como um todo, realizada a partir da análise de plantas, mapas e observação direta do território. A intenção, segundo ela, era identificar locais que sintetizassem diferentes momentos da formação e transformação do bairro.

Verticalização

Pesquisa Setor Oeste
Esboço do Setor Oeste no Plano urbanístico de Goiânia | Imagaem: Reprodução

A pesquisa também aborda o intenso processo de verticalização do Setor Oeste. Impulsionado pela valorização do solo e a especulação imobiliária, o processo começou no final dos anos 1960 e teve seu ápice na década de 1980. Atualmente, a região próxima à Praça do Sol, por exemplo, vivencia uma verticalização acelerada, com novos empreendimentos de alto padrão imobiliário que frequentemente ultrapassam os 30 pavimentos.

"A verticalização ocorreu de forma gradual, acompanhando transformações econômicas, urbanas e sociais", destaca Lyvia. "A diversidade de usos — residenciais, comerciais, institucionais, culturais e de lazer — consolidou a ideia de uma densidade qualificada, marcada pela vitalidade e pela facilidade de acesso a diferentes funções urbanas".

A pesquisadora também ressalta a expressiva quantidade de áreas livres para lazer no Setor Oeste. Atualmente com 13 praças e dois parques urbanos, os locais foram "incorporados ao discurso de qualidade de vida", segundo Lyvia.

Os resultados demonstram que os espaços públicos do Setor Oeste continuam sendo intensamente apropriados pela população. Mesmo com a evolução urbana, os locais funcionam como suportes para práticas sociais e culturais, como as tradicionais Feira da Lua e Feira do Sol.

 

Pesquisa Setor Oeste
Feira da Lua, na Praça Tamandaré: suporte para práticas sociais e culturais | Foto: GustavoMR

 

Escassez de estudos

"A escolha pelo Setor Oeste surgiu do interesse em compreender a formação e as transformações de um dos bairros mais emblemáticos de Goiânia, cuja trajetória reflete momentos significativos do processo de urbanização da cidade, desde o planejamento inicial até a consolidação contemporânea", conta a pesquisadora.

Apesar da relevância histórica e social do bairro, Lyvia afirma que há uma escassez de estudos abrangentes do local. "Essa lacuna motivou a realização de uma pesquisa que buscasse reconstruir, de forma cronológica, a trajetória do Setor Oeste".

Moradora do bairro desde 2008, ela destaca que, para além do interesse acadêmico, a aproximação afetiva e sensível com o lugar permitiu observar as especificidades do local. "Essa experiência cotidiana, aliada ao olhar técnico da arquitetura e do urbanismo, possibilitou compreender como essas características se formaram e se transformaram ao longo do tempo", afirma.

 

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Fonte: Secom UFG

Categorias: Urbanismo Humanidades FAV destaque Notícia 1