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Universidade Federal de Goiás
Alzheimer

Compostos contra Alzheimer mostram resultados promissores

Em 23/03/26 13:34. Atualizada em 23/03/26 13:34.

Pesquisa de universidades brasileiras aposta em moléculas com ação dupla no combate à doença

Da Redação

Pesquisadores das Universidades Federais de Goiás (UFG), de Santa Catarina (UFSC) e de Mato Grosso do Sul (UFMS) sintetizaram uma nova classe de compostos químicos com potencial para atuar simultaneamente em dois dos principais mecanismos associados à Doença de Alzheimer: o estresse oxidativo e a degradação de neurotransmissores no cérebro.

O estudo já resultou em uma patente e recebeu reconhecimento nacional ao conquistar o segundo lugar na categoria "Inovação de Processos" do Prêmio Inova UFSC 2025, um dos principais eventos de inovação científica do país. O trabalho foi conduzido por Sumbal Saba (UFG), Jamal Rafique (UFG e UFMS), Tiago Elias Frizon (UFSC) e Antonio Luiz Braga (UFSC), e teve financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (Fapeg).

Os compostos, chamados derivados de acil selenoureia, apresentaram resultados expressivos em testes laboratoriais. Segundo Sumbal, que coordena o Laboratório de Síntese Sustentável e Organocalcogênio (LabSO) da UFG, uma das moléculas mostrou desempenho superior ao da galantamina – um dos medicamentos atualmente utilizados no tratamento do Alzheimer – na inibição da enzima acetilcolinesterase, responsável por degradar a acetilcolina, neurotransmissor essencial para a memória e a cognição.

Além disso, as substâncias demonstraram forte atividade antioxidante, atuando por múltiplos mecanismos, como neutralização de radicais livres e quelação de metais – processos diretamente relacionados à progressão de doenças neurodegenerativas.

Para explicar o mecanismo de ação, a professora utiliza uma analogia: o cérebro de uma pessoa com Alzheimer pode ser comparado a uma cidade em que os serviços de comunicação começam a falhar progressivamente. Nesse cenário, as pequenas moléculas desenvolvidas pelo grupo, chamadas de derivados de acil selenoureia, atuariam como "técnicos de reparo" nessa cidade.

Essas moléculas bloqueiam a enzima responsável por degradar o sinal de comunicação entre os neurônios e, ao mesmo tempo, combatem o estresse oxidativo, outro grande vilão da doença, um dos principais fatores associados à progressão do Alzheimer.

 

Leia também: Nanotecnologia desenvolvida na UFG pode dar origem a medicamento inédito

 

Sumbal
Professora da UFG, Sumbal Saba, no Prêmio Inova UFSC 2025 | Foto: Arquivo Pessoal

 

Estratégia "multialvo"

Segundo os pesquisadores, o diferencial da abordagem está no caráter "multialvo" das moléculas. Enquanto muitos fármacos atuam em apenas um mecanismo da doença, os compostos desenvolvidos combinam diferentes funções em uma única estrutura química.

Na prática, isso significa que as moléculas podem, ao mesmo tempo, proteger os neurônios contra danos oxidativos e preservar a comunicação entre as células nervosas ao impedir a degradação da acetilcolina.

Essa estratégia é considerada promissora porque a Doença de Alzheimer envolve múltiplos processos biológicos, o que limita a eficácia de tratamentos que atuam em apenas um alvo.

Outro destaque da pesquisa está no método de produção, baseado em princípios de química verde, com reações rápidas, uso de solventes menos agressivos e baixa geração de resíduos tóxicos.

O processo também se mostrou escalável, mantendo bons rendimentos em diferentes volumes – uma característica importante para futura aplicação industrial e produção farmacêutica.

Apesar dos resultados promissores, os compostos ainda precisam passar por testes pré-clínicos, em modelos celulares e animais, para avaliar segurança, eficácia e comportamento no organismo.

Em paralelo, os pesquisadores buscam parcerias com a indústria farmacêutica e de biotecnologia para avançar no desenvolvimento de um candidato a medicamento.

 

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Fonte: Secom UFG

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