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Universidade Federal de Goiás
Parada LGBT

Jornalismo ainda reproduz estigmas sobre população LGBTQIA+, aponta pesquisa

Em 24/03/26 13:44. Atualizada em 24/03/26 13:44.

Estudo da UFG analisou webjornais do Portal g1 na Região Norte e identificou enquadramentos limitados e pouca reflexão crítica

Piter Salvatore

Uma pesquisa desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal de Goiás (UFG) analisou como webjornais do Portal g1 na Região Norte do Brasil retratam a população LGBTQIA+ e concluiu que, embora existam diferenças entre os veículos, ainda predominam abordagens marcadas por estigmas, enquadramentos limitados e pouca reflexão crítica nas redações das afiliadas do Grupo Globo.

Na dissertação, o pesquisador Antônio Guilherme de Lima Santos, orientado pela professora Rosana Borges, examinou conteúdos publicados entre 2023 e 2024 em oito webjornais regionais do g1, abrangendo todos os estados do Norte.

A análise mostra que a cobertura varia entre os webjornais, com alguns dando mais espaço a temas culturais e outros concentrando-se em casos de violência, mas revela também padrões comuns, como a associação recorrente da população LGBTQIA+ a situações de marginalização.

Segundo o autor, a pesquisa parte do entendimento de que temas ligados à diversidade sexual e de gênero ainda são atravessados por preconceitos estruturais. "Os veículos de comunicação frequentemente reproduzem ideias ancoradas em ordens ideológicas e simbólicas dominantes", aponta.

Enquadramento

Uma das teorias centrais da dissertação é a de enquadramento jornalístico – a forma como diferentes veículos apresentam um mesmo fato ou acontecimento. O pesquisador lembra a cobertura do assassinato de uma travesti no Acre. Enquanto alguns webjornais esperaram a apuração policial, outros noticiaram que o crime aconteceu porque a vítima estava "drogada" e "bêbada".

Para ele, essas diferenças mostram como fatores culturais, sociais e decisões editoriais influenciam tanto a construção da notícia quanto às motivações para publicações ligadas à diversidade sexual e de gênero. Além disso, a pesquisa dialoga com um problema estrutural: a falta de dados oficiais sobre violência contra pessoas LGBTQIA+ no Brasil. "Nossos dados sobre violência LGBT são com base em relatos jornalísticos", observa Antônio Guilherme.

Essa dependência do jornalismo para mapear a violência torna ainda mais relevante a forma como as notícias são produzidas e reforça o impacto dos enquadramentos adotados pelos veículos.

Lacuna regional

Natural do Acre, Antônio Guilherme afirma que a escolha do tema de sua pesquisa esteve diretamente ligada à ausência de estudos sobre comunicação e diversidade na Região Norte. Experiências profissionais como jornalista também influenciaram o recorte da pesquisa.

"Pelo fato de eu ser um homem declaradamente gay, muitos dos editores me designavam para pautas relacionadas à população LGBT, porque tinham um desconforto em tratar sobre a pauta, que eles sempre tratavam como pautas polêmicas", conta.

A pesquisa aponta para a necessidade de maior preparo nas redações e de investimentos na cobertura dessas pautas, de modo a evitar a reprodução de estereótipos e ampliar a qualidade do debate público.

Acesse aqui a dissertação Discursos jornalísticos sobre a comunidade LGBTI+: uma análise comparada nas afiliadas do portal de notícias g1 da Região Norte.

 

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Fonte: Secom UFG

Categorias: Comunicação Humanidades Fic Notícia 4