CEMPA apresenta soluções meteorológicas para o Cerrado
Evento comemorou o Dia Mundial da Meteorologia e mostrou resultados alcançados por seus pesquisadores
Maria Victorino*
No Dia Mundial da Meteorologia, comemorado em 23 de março, o Centro de Excelência em Estudos, Monitoramento e Previsões Ambientais do Cerrado (CEMPA-Cerrado) e o Instituto de Física (IF) da Universidade Federal de Goiás (UFG) realizaram um evento para apresentar os diversos estudos desenvolvidos por seus pesquisadores. Com o tema "Soluções Meteorológicas para o Bioma Cerrado", a programação incluiu estudos de caso, aplicações práticas no campo da meteorologia e resultados atuais obtidos no centro.
O evento foi coordenado pelo diretor-executivo do CEMPA-Cerrado, Manuel Eduardo Ferreira, e pelo pesquisador do IF e meteorologista do CEMPA-Cerrado, Angel Domínguez Chovert, com a participação de diversos especialistas de outros estados brasileiros, conectados de forma remota. O evento teve apoio da Fundação Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (Fapeg).
Entre os temas abordados estiveram o inventário de emissões veiculares na Região Metropolitana de Goiânia, a infraestrutura meteorológica do estado, o uso de inteligência artificial na previsão do tempo, o monitoramento da qualidade do ar em grandes centros urbanos e a proposta do novo bacharelado em Meteorologia do IF/UFG, curso inédito no estado de Goiás.
Angel Domínguez destacou o lançamento de duas novas plataformas que contribuem para a previsão meteorológica na região metropolitana de Goiânia e em todo o estado. Ele também citou a aprovação de um projeto do CEMPA juntamente à Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) e à Fapeg, no valor de R$ 1 milhão, que está em andamento e contribuiu com a contratação de bolsistas que já estão trabalhando no centro, e na duplicação do número de meteorologistas em Goiás.
O professor Manuel Ferreira explicou que o projeto do CEMPA-Cerrado, que teve início em 2021, se tornou um centro de excelência dentro de um ecossistema que conta com dez outros centros. Ao abordar a importância prática da unidade, ele citou o trabalho desenvolvido durante o Grande Prêmio do Brasil de Motovelocidade (MotoGP), que ocorreu na capital goiana no último fim de semana. O CEMPA forneceu, hora a hora, dados meteorológicos para a organização do evento, por meio de imagens de satélites e interpretação de modelos numéricos.
Inventário de Goiânia
A pesquisadora do CEMPA-Cerrado, Daniela França, apresentou o inventário de estimativas de emissões veiculares da região metropolitana de Goiânia. Como uma das perspectivas do projeto é pensar a melhoria na qualidade do ar para a região de Goiânia, houve uma necessidade de atualização da base de dados.
Por conta da acelerada expansão urbana e por ser uma região metropolitana com cerca de 2,5 milhões de habitantes, ao longo dos anos houve um "aumento de veículos e, também, de emissão de poluentes para a atmosfera, havendo impactos significativos com relação à poluição do ar, prejudicando especialmente a saúde da população".
Para a formação de novos dados, foi utilizada uma abordagem comumente utilizada para o desenvolvimento de inventários, denominada bottom up (de baixo para cima), que consiste na emissão a partir de dados locais detalhados sobre a frota e sua intensidade de uso. As informações para o tratamento da frota veicular foram disponibilizadas pelo Departamento Estadual de Trânsito de Goiás (Detran) de 1988 a 2023, distribuídas em cinco categorias: veículos leves (automóveis), comerciais leves (caminhonetes, utilitários, furgões e vans), motocicletas, caminhões e ônibus.
Os dados mostraram que 22 mil toneladas de dióxido de carbono foram emitidas por automóveis e motocicletas; já 6 mil toneladas de dióxido de nitrogênio e 200 toneladas de materiais particulados foram emitidas por veículos pesados (caminhões e ônibus) e comerciais a diesel na região metropolitana de Goiânia.
Infraestrutura metodológica
O pesquisador Carlos Diego Gurjão falou sobre o levantamento da infraestrutura meteorológica no estado de Goiás. Ele destacou que o Cerrado vem mostrando, nos últimos anos, um regime hidrológico diferente do que se esperava, com aumento na temperatura e dias consecutivos sem chuvas, levando a estiagem e padrões de ondas de calor em grande parte da região Centro-Oeste.
O objetivo do estudo foi mapear de maneira completa redes de estações meteorológicas observadas e, posteriormente, analisar todos os dados coletados, como umidade, precipitação, pressão atmosférica e outros fatores, para identificar onde pode haver alguma lacuna de instituições ou estações que possam melhorar a observação.
* Maria Victorino é estagiária do curso de Jornalismo da FIC/UFG, orientada pela jornalista Kharen Stecca.
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Fonte: Secom UFG
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