Evento discute desafios e potencialidades do professor no ensino médio
Mesa-redonda promovida pelo Nepeg/UFG reuniu pesquisadores de diversas regiões
Ana Beatriz Santiago
O Núcleo de Ensino e Pesquisas em Educação Geográfica da Universidade Federal de Goiás (Nepeg/UFG) promoveu, no último dia 31 de março, a mesa-redonda "Atuação docente no Ensino Médio: desafios e potencialidades". Transmitida pelo canal do Nepeg no YouTube, a iniciativa integrou as atividades preparatórias para o 13º Fórum Nepeg, que ocorrerá entre 23 e 25 de agosto de 2026, em Caldas Novas (GO), com o tema "Ensinar para resistir e transformar realidades em tempos de crises".
Mediado pela professora Patrícia Assis Ribeiro, da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), o encontro analisou criticamente as transformações impostas pelo Novo Ensino Médio e seus impactos no cotidiano escolar em diferentes regiões do Brasil. Segundo a mediadora, a proposta foi "ouvir as experiências concretas que eles trazem do cotidiano escolar, com foco principalmente nas experiências curriculares e em suas práticas pedagógicas".
Rafael César Costa Silva, que atua em Minas Gerais, utilizou a metáfora do "mapa e o terreno" para descrever sua prática: o mapa representa as potencialidades teóricas, enquanto o terreno revela as dificuldades reais da escola. Para ele, o Novo Ensino Médio não é apenas uma mudança de conteúdos, mas um "redesenho arquitetônico" do sistema.
Rafael destacou a fricção entre o ensino tradicional e a cibercultura, apontando que muitos docentes não tiveram formação para lidar com alunos que já nasceram imersos no virtual. Embora veja potencial nos itinerários formativos para aumentar o repertório dos alunos, ele alertou para o "peso estrutural sobre docentes e discentes", exemplificado pela fadiga nas aulas do período integral. Ao final, reafirmou sua crença na disciplina: "a educação transforma vidas e a educação transforma território".
Leitura crítica
Representando o Rio Grande do Sul, o professor Fabrício Paula de Souza apontou que o currículo, mesmo sendo prescritivo, acaba muitas vezes tensionando para que a aula seja sempre inventada. Citando Paulo Freire, ele reforçou que "a leitura do mundo antecede a leitura da palavra", defendendo que a Geografia deve ser o instrumento dessa leitura crítica.
Fabrício compartilhou o sucesso da disciplina eletiva "Que país é esse?", na qual utilizou um jogo RPG de mesa para trabalhar conceitos como regimes políticos e enchentes de forma orgânica e lúdica. Ele alertou, contudo, para a diluição do conhecimento geográfico na parte diversificada do currículo, o que pode gerar uma "perda de centralidade" da disciplina.
O professor Yuji Yano, atualmente em Roraima, trouxe a perspectiva das angústias docentes, lamentando que "o professor é o polo menos ouvido de toda a história" em reformas impositivas. Atuando em uma região com forte presença indígena e migratória, ele criticou a invisibilidade desses temas nos materiais didáticos.
Yuji expressou profunda preocupação com a plataformização da educação, em que grandes grupos econômicos controlam tanto o material quanto os sistemas de gestão. Para ele, isso retira o protagonismo docente, transformando o professor em um mero "operador de sistema" ou "operador da plataforma". Em defesa dos saberes tradicionais, citou Davi Kopenawa, lembrando que certas palavras não precisam de escrita, pois "ficam gravadas dentro de nós".
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Fonte: Secom UFG
Categorias: educação Institucional IESA Notícia 4






