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Universidade Federal de Goiás
Painel Econômico

Crescimento da renda, expansão do emprego e aumento da desigualdade

Em 13/05/26 14:05. Atualizada em 13/05/26 14:05.

Políticas de combate à concentração de renda devem andar lado a lado com estímulo ao crescimento econômico

Edson Roberto Vieira
Antônio Marcos de Queiroz

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do IBGE, mostrou que o rendimento médio mensal real de todas as fontes da população residente com rendimento no Brasil alcançou R$ 3.367 em 2025. Este foi o maior valor da série histórica da pesquisa, iniciada pelo Instituto em 2012. Na comparação com 2024, o indicador aumentou 5,4%, registrando o quarto aumento consecutivo.

No caso de Goiás, o rendimento médio mensal real voltou a ficar acima do nacional, atingindo R$ 3.539 em 2025. Em 2024, os resultados foram de R$ 3.250 e R$ 3.195, respectivamente. Tal qual ocorreu em relação ao indicador nacional, o rendimento médio mensal real de Goiás em 2025 foi o maior já registrado pelo IBGE, com avanço de 8,9% frente ao resultado de 2024.

Dentre os 26 estados e o Distrito Federal, este último continua sendo o de maior rendimento médio mensal real, registrando R$ 6.492 em 2025. O segundo e o terceiro colocados foram São Paulo (R$ 4.106) e Rio de Janeiro (R$ 4.039). Na outra ponta, Maranhão (R$ 2.043), Bahia (R$ 2.162) e Ceará (R$ 2.179) tiveram os três menores rendimentos reais médios em 2025. Goiás subiu duas posições nesse ranking em relação a 2024 e ficou na oitava colocação.

O percentual de pessoas que possuíam rendimentos em 2025 também foi o maior da série histórica da PNAD Contínua. Naquele ano, cerca de 143 milhões do total de 212,7 milhões de pessoas residentes no Brasil possuíam algum tipo de rendimento, perfazendo 67,2%. Coincidentemente, o estado de Goiás apresentou o mesmo percentual que o Brasil e seu percentual de pessoas que possuíam rendimentos também registrou recorde em 2025. Em termos absolutos, cerca de 5 milhões de pessoas no estado possuíam rendimentos em 2025, sendo este o maior número da história.

Os resultados sugerem forte associação entre a melhora do mercado de trabalho e o dinamismo da atividade econômica observado em cada região. As taxas de desocupação do Brasil e de Goiás atingiram em 2025 seus menores patamares já registrados pelo IBGE, sendo, respectivamente, 5,6% e 4,6%. Nessa mesma linha, o número de pessoas ocupadas atingiu recorde tanto no Brasil (102,98 milhões) quanto em Goiás (3,86 milhões).

Em termos de atividade econômica, o Banco Central do Brasil divulga o IBC-Br, indicador amplamente utilizado por analistas e pelo mercado financeiro como uma medida antecedente do desempenho do Produto Interno Bruto (PIB), embora não constitua uma estimativa oficial do PIB calculada pelo IBGE. Os dados mostram que a economia goiana vem crescendo em ritmo superior ao nacional, especialmente a partir de 2022.

Em 2023, por exemplo, o IBC-Br registrou crescimento de 2,45% no Brasil, enquanto o indicador regional de Goiás avançou 6,1%. Em 2024, a atividade econômica goiana cresceu 3,4%, mantendo desempenho acima da média nacional. Já em 2025, o IBC-Br apontou expansão de 2,5% da economia brasileira, ao passo que Goiás registrou crescimento de 4,4%, reforçando o maior dinamismo relativo da economia estadual nos últimos anos. Não por acaso, o rendimento médio mensal real de Goiás ultrapassou o rendimento médio nacional pela primeira vez em 2023, quando o indicador alcançou R$ 3.214 no estado, frente a R$ 3.106 no Brasil.

Entretanto, apesar da melhora observada nos indicadores de renda e mercado de trabalho, os dados também apontam avanço da desigualdade de renda em 2025. Os indicadores distributivos sugerem que os ganhos recentes de renda ocorreram de forma desigual entre os diferentes grupos populacionais. No Brasil, o índice de Gini aumentou de 0,504 em 2024 para 0,511 em 2025. O índice de Gini varia entre 0 e 1, sendo que valores mais próximos de 1 indicam maior concentração de renda, enquanto valores mais próximos de 0 refletem uma distribuição mais igualitária.

Embora o resultado de 2025 represente um aumento da desigualdade em relação ao ano anterior, o nível ainda permaneceu entre os menores já registrados pela série histórica da PNAD Contínua. O maior valor ocorreu em 2018, quando o índice atingiu 0,545.

Em Goiás, o movimento foi semelhante. O índice de Gini do estado avançou de 0,462 em 2024 para 0,479 em 2025. Mesmo que Goiás ainda apresente desigualdade inferior à média nacional, o crescimento recente da concentração de renda ocorreu de forma proporcionalmente mais intensa do que no Brasil. O resultado de 2025 foi um dos mais elevados da série histórica estadual, ficando abaixo apenas do observado em 2017.

Os dados revelam, portanto, um cenário econômico complexo. De um lado, Brasil e Goiás registraram melhora expressiva do mercado de trabalho, aumento da renda média e crescimento do contingente de pessoas com rendimento. De outro, os indicadores distributivos mostram que parte relevante dos ganhos econômicos permaneceu concentrada em segmentos específicos da população.

Esses resultados sugerem que políticas de combate à concentração de renda devem andar lado a lado com as políticas de estímulo ao crescimento econômico e de geração de emprego e renda. Não se pode, portanto, descuidar das políticas voltadas à inclusão produtiva, qualificação profissional, ampliação do acesso à educação, fortalecimento do mercado de trabalho formal e redução das desigualdades estruturais do país.

 

Boletim de Conjuntura Econômica de Goiás, n. 190, março de 2026.

 

Edson Roberto Vieira e Antônio Marcos de Queiroz são professores da Faculdade de Administração, Ciências Contábeis e Ciências Econômicas (FACE) da UFG.

 

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Fonte: FACE

Categorias: colunistas Humanidades FACE