Icone Instagram
Ícone WhatsApp
Icone Linkedin
Icone YouTube
Universidade Federal de Goiás
Emergência Radioativa

Evento faz resgate histórico do acidente com o césio-137

Em 25/05/26 17:02. Atualizada em 25/05/26 17:02.

Edição do Café com Ciência destacou nuances da tragédia sob as perspectivas científica e social

Arthur Gabriel

O Café com Ciência, projeto de divulgação científica do Instituto de Física da Universidade Federal de Goiás (IF/UFG), abordou uma temática que voltou a ocupar o centro das discussões no Brasil e, em especial, em Goiás, com o lançamento da minissérie da Netflix Emergência Radioativa.

A discussão sobre o acidente com o césio-137 em Goiânia reuniu os professores Walter Ferreira e Fernando Pelegrini, físicos que participaram ativamente da identificação do material à época; a jornalista Carla Lacerda, que publicou um livro-reportagem sobre as vítimas e sobreviventes do césio; e Emerson Itikawa, professor do curso de Física Médica da UFG.

Walter é o físico que desempenhou um papel essencial na identificação e contenção do césio-137. Segundo ele, a narrativa proposta pela minissérie da Netflix, na qual ele é retratado, se aproxima muito dos fatos. "A série, em muitos momentos, se mostrou verdadeira e coerente com aquilo que de fato aconteceu. É de extrema importância relembrar esse episódio da nossa história, já que, ao longo do tempo, ele foi esquecido de nosso imaginário".

O professor detalhou, à luz da física, os métodos de detecção e descontaminação dos principais pontos da cidade. "Ao longo do processo, cerca de seis casas tiveram que ser demolidas; foi preciso também realizar levantamentos radiométricos constantes em toda a cidade".

Já a jornalista Carla Lacerda contou que procurou, ao longo do livro Sobreviventes do Césio-137, costurar a história de três sobreviventes do césio: os pais de Leide das Neves – a menina de 6 anos que morreu pela contaminação – e Wagner Mota, um dos homens que encontraram a cápsula de césio no antigo Instituto Goiânia de Radioterapia.

Carla procurou complementar a narrativa biográfica do livro com relatos de outros sobreviventes, que enfrentam sequelas e marcas do césio. A jornalista apontou que os veículos de comunicação estigmatizaram os envolvidos no acidente, que ficaram à mercê de preconceitos, estereótipos e apagamento ao longo do tempo.

Participação da UFG

O professor Fernando Pelegrini falou sobre a participação do Instituto de Física da UFG na época do acidente. Segundo ele, quando se teve consciência da magnitude do acidente, foi criado um núcleo de acompanhamento do césio-137, que contou com a colaboração de diversos professores que estavam vinculados ao instituto na época.

Ele acrescentou que, desde aquela época, existe uma lacuna informacional acerca da maneira como ocorre a contaminação por césio. "É preciso construir uma educação e formação científicas capazes de satisfazer as necessidades da população, e para que o acidente do césio não seja apagado da memória de cada um".

O professor Emerson Itikawa falou sobre a importância do desenvolvimento científico no cuidado de pacientes e vítimas radiológicas em decorrência do acidente. Segundo ele, técnicas e pesquisas são desenvolvidas a fim de prevenir acidentes e garantir a segurança, e para que materiais e equipamentos radiológicos não sejam descartados de qualquer forma.

 

Receba notícias de ciência no seu celular
Siga o Canal do Jornal UFG no WhatsApp e nosso perfil no Instagram.

É da UFG e quer divulgar sua pesquisa ou projeto de extensão?
Preencha aqui o formulário.

Comentários e sugestões
jornalufg@ufg.br

Política de uso
A reprodução de matérias e fotografias é livre mediante a citação do Jornal UFG e do autor.

Fonte: Secom UFG

Categorias: Física Ciências Naturais IF Notícia 1