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Universidade Federal de Goiás
Painel Econômico

Áreas urbanizadas em Goiás: liderança regional e desafios do planejamento territorial

Em 21/08/26 13:12. Atualizada em 21/08/26 13:12.

Estado tem a maior área urbanizada do Centro-Oeste; Goiânia é a quinta do país

Edson Roberto Vieira
Antônio Marcos de Queiroz

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou a quarta edição do estudo Áreas Urbanizadas do Brasil, com informações referentes a 2022. Esse estudo apresenta um panorama da extensão e da configuração espacial da ocupação urbana no território brasileiro, permitindo identificar onde se concentram as edificações, as vias de circulação, as residências, as atividades econômicas e outros elementos associados ao modo de vida urbano.

O mapeamento foi elaborado principalmente por meio da interpretação visual de imagens de satélite, reunindo também informações de outras bases de dados do IBGE, como o Cadastro Nacional de Endereços para Fins Estatísticos (CNEFE). Assim, a pesquisa analisa elementos como a presença e a proximidade entre edificações, a organização da rede viária, a circulação e a continuidade da ocupação do solo. A ideia é não apenas considerar os limites legais que definem os perímetros urbanos, mas, sobretudo, identificar a presença concreta do fenômeno urbano nas paisagens de estados e municípios brasileiros.

O território identificado pelo levantamento foi classificado em quatro categorias: (i) Áreas Urbanizadas, que se referem aos espaços com ocupação predominantemente residencial, comercial, industrial ou de serviços; (ii) Loteamentos Vazios, que abrangem áreas parceladas e com vias identificáveis, mas ainda com poucas edificações ou sem construções; (iii) Outros Equipamentos Urbanos, que envolvem estruturas não residenciais próximas das manchas urbanizadas, como aeroportos, universidades, indústrias, presídios, shopping centers e estações de geração de energia; e (iv) Vazios Intraurbanos, que são espaços não edificados inseridos no tecido urbano, como parques, corpos d'água e remanescentes de vegetação.

Os dados mostram que o estado de Goiás se destacou em relação aos demais estados do Centro-Oeste na edição de 2022 da pesquisa, apresentando 2.080,2 km² de Áreas Urbanizadas e ficando à frente de Mato Grosso, com 1.256,7 km²; Mato Grosso do Sul, com 864,9 km²; e Distrito Federal, com 633,2 km².

Esse resultado mostra que as áreas urbanizadas possuem ampla distribuição pelo território goiano. Além da concentração urbana formada por Goiânia e pelos municípios de seu entorno, Goiás possui outros importantes centros urbanos distribuídos por diferentes regiões do estado, como Anápolis, Rio Verde, Aparecida de Goiânia, Luziânia, Águas Lindas de Goiás, Catalão, Jataí e Itumbiara. Assim, a área urbanizada de Goiás não se concentra apenas na capital, mas também abrange municípios que desempenham funções regionais relevantes e concentram atividades residenciais, comerciais, industriais e de serviços.

Muito embora o levantamento do IBGE não investigue diretamente os fatores econômicos ou demográficos responsáveis pelo aumento do processo de urbanização, certamente a posição geográfica do estado e a formação de centros vinculados ao comércio, aos serviços, à indústria, à logística e ao agronegócio contribuíram para a ampliação das estruturas urbanas. O crescimento dessas atividades estimula a instalação de moradias, empresas, armazéns, unidades industriais, vias e equipamentos urbanos.

A posição apresentada por Goiânia na pesquisa do IBGE também chamou a atenção. A capital de Goiás ficou na quinta posição entre os municípios mais urbanizados do país, atrás apenas de São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro e Curitiba. Ocorre que Goiânia exerce importante função administrativa, econômica e de prestação de serviços, além de integrar uma aglomeração urbana que ultrapassa seus limites municipais. De acordo com a legislação estadual vigente, a Região Metropolitana de Goiânia é composta por 21 municípios. As informações do IBGE indicam que essa região possui mais de 2,6 milhões de habitantes, evidenciando a importância da capital na dinâmica metropolitana do estado.

Aliás, o crescimento populacional também ajuda a entender a extensão das áreas urbanizadas identificadas em Goiás. Entre 2010 e 2022, a população goiana passou de 6 milhões para 7,1 milhões de habitantes, representando crescimento acumulado de 17,53% e taxa média de 1,36% ao ano. No mesmo período, a população brasileira aumentou 6,46%, com média de 0,52% ao ano.

No caso de Goiânia, entre 2010 e 2022, sua população passou de 1.302.001 para 1.437.366 habitantes, apresentando crescimento acumulado de 10,4% e taxa média de 0,83% ao ano. No mesmo período, a proporção de moradores que residiam em apartamentos aumentou de aproximadamente 15% para 24,33%, enquanto 69,99% viviam em casas em 2022. Esses dados mostram que o crescimento populacional foi acompanhado por uma mudança no padrão habitacional da capital, com aumento da participação dos apartamentos entre os tipos de moradia.

Vale ressaltar que esse processo impõe desafios crescentes aos grandes centros urbanos do país, como é o caso de Goiânia. O avanço das cidades sobre áreas rurais ou naturais aumenta as distâncias entre moradia, trabalho e serviços, exigindo a ampliação das redes de transporte, água, esgoto, energia, escolas, unidades de saúde e manejo de resíduos. Essa expansão pode elevar os custos da infraestrutura urbana e aumentar o risco de déficits de atendimento e de aprofundamento das desigualdades territoriais.

Em muitos desses centros urbanos, a oferta de moradias adequadas e economicamente acessíveis é insuficiente, o que pode favorecer o surgimento de assentamentos informais e loteamentos irregulares, bem como ampliar a segregação residencial e dificultar o acesso equitativo às oportunidades urbanas. Em algumas localidades, verifica-se a ocupação de encostas, margens de rios e outras áreas vulneráveis, elevando a exposição da população a inundações, deslizamentos e ondas de calor.

É importante ressaltar que a superação desses desafios não é função apenas dos governos dos municípios com grandes áreas urbanizadas. Isso porque, por vezes, a área efetivamente urbanizada ultrapassa os limites de um único município, de modo que habitação, mobilidade, saneamento e meio ambiente passam a exigir coordenação entre diferentes prefeituras e o governo estadual, uma vez que as decisões tomadas em um município produzem efeitos nos demais.

Essas questões ilustram bem a importância do estudo Áreas Urbanizadas do Brasil, realizado periodicamente pelo IBGE. Suas informações podem subsidiar a formulação de políticas de planejamento territorial mais eficientes, orientar o aprimoramento das ações de mobilidade urbana, permitir o acompanhamento das mudanças ambientais e contribuir para o direcionamento dos gastos públicos em infraestrutura e na oferta territorial de serviços de educação e saúde.

 

Boletim de Conjuntura Econômica de Goiás, n. 193, junho de 2026.

 

Edson Roberto Vieira e Antônio Marcos de Queiroz são professores da Faculdade de Administração, Ciências Contábeis e Ciências Econômicas (FACE) da UFG.

 

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Fonte: FACE

Categorias: colunistas Humanidades FACE