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Universidade Federal de Goiás
Pesquisa Quantizika Humana 1

Pesquisa da UFG indica adaptação do vírus Mayaro ao meio urbano

Criada em 30/07/19 16:53. Atualizada em 31/07/19 14:47.

“Primo” da Chigungunya pode estar sendo transmitido pelo mosquito Aedes aegypt

Mariza Fernandes

Pesquisadores do Projeto Quantizika Humana, desenvolvido por docentes de várias unidades da Universidade Federal de Goiás (UFG), descobriram que o vírus Mayaro, antes verificado apenas em ambientes silvestres, como florestas e matas fechadas, pode estar se adaptando ao meio urbano. Após analisar amostras sanguíneas de pessoas que apresentavam sinais ou sintomas semelhantes aos causados pela dengue, os pesquisadores identificaram o vírus em vários pacientes atendidos em Unidade de Pronto Atendimento de Goiânia. 

O Mayaro é um vírus da mesma família que o Chigungunya, por isso eles são chamados de “primos”. As doenças causadas pelos dois também são semelhantes. Os sintomas incluem febre, dor de cabeça, diarreia, manchas vermelhas pelo corpo e dor nas articulações, o que também faz com que os casos sejam confundidos com dengue. Em vítimas mais graves do Mayaro, as dores podem durar até mais de ano. 

Pesquisa Quantizika Humana 1
Fotos: Carlos Siqueira

Estudos anteriores indicavam que o vírus é transmitido pelo mesmo mosquito que transmite a febre amarela, o mosquito Haemagogus, encontrado em ambientes rurais e, mais comumente, na região amazônica. Agora, os pesquisadores da UFG identificaram o vírus em pacientes residentes em área urbana de Goiânia e, em alguns desses casos, existia a co-infecção com o vírus da dengue.  

Projeto Quantizika Humana

O Projeto Quantizika da UFG teve início em 2016, quando um grupo de pesquisadores composto por professores das áreas de biologia molecular e genética, epidemiologista e médico sanitarista, selecionaram pacientes que apresentavam sintomas semelhantes a dengue, inicialmente com a finalidade de rastrear aqueles que pudessem apresentar infecção pelo vírus da Zika.

Pesquisa Quantizika Humana 2

Durante o rastreamento molecular, e por meio de técnica própria desenvolvida na pesquisa, foram identificados também casos de infecção pelo vírus Mayaro. A pesquisa é financiada pela  FINEP (Financiadora de Inovação e Pesquisa) e o projeto foi selecionado na Chamada Pública Edital MCTI/FINEP/FNDCT 01/2016- Zika. O projeto também conta com a colaboração do pesquisador Giovanni Rezza do Instituto Superiore di Sanità (Itália). No período de fevereiro a junho de 2018, foram coletadas amostras sanguíneas de mais de 400  pessoas pela equipe de campo do projeto, pela professora Sandra Brunini, enfermeira epidemiologista do Programa de Pós-Graduação da Faculdade de Enfermagem e responsável pelo projeto junto ao Comitê de Ética, com apoio técnico e logístico da Unidade de Saúde da Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia.

As amostras sanguíneas seguiram para o Laboratório de Biologia Molecular e Citogenética do Instituto de Ciências Biológicas da UFG (ICB), onde o sangue foi processado e analisado por meio de uma técnica chamada PCR - Reação de Polimerase em Cadeia, sob a responsabilidade da professora Elisângela de Paula Silveira-Lacerda, coordenadora técnica do Projeto e gestora junto à FINEP, e pelo professor Carlos Eduardo Anunciação, responsável pelo desenvolvimento de  um primer (instrumento de pesquisa)  específico, capaz de detectar partículas virais do vírus Mayaro nessas amostras. 

A equipe do Quantizika também é composta pelo professor Marco Túlio Zapata, médico sanitarista, especialista em doenças do viajante, professor do Instituto de Patologia Tropical e Saúde Pública da UFG (IPTSP) e coordenador do Núcleo de Estudos e Pesquisa com Agentes (Re) emergentes de interesse sanitário (NUPEREME). 

Fonte: Secom UFG

Categorias: Saúde