UFG avança na criação de nanopartícula que identifica e trata doenças
Novo estudo mostra como o controle do tamanho das partículas magnéticas potencializa suas funções
Luiz Felipe Fernandes
Pesquisadores da Universidade Federal de Goiás (UFG) desenvolveram uma plataforma de nanopartículas magnéticas capaz de integrar diagnóstico por imagem e tratamento terapêutico em um único sistema, com propriedades ajustáveis a partir do controle do tamanho dessas estruturas. A abordagem é conhecida como teranóstica — termo que designa tecnologias que reúnem, simultaneamente, ferramentas para identificar doenças (diagnóstico) e para tratá-las (terapia).
O estudo, publicado recentemente na revista ACS Applied Nano Materials, investiga nanoestruturas de ferrita de manganês e demonstra que características fundamentais para aplicações teranósticas — como contraste em ressonância magnética e eficiência de aquecimento fototérmico — dependem diretamente do diâmetro dos aglomerados.
A pesquisa dá corpo às evidências acerca do potencial da tecnologia de, futuramente, ser usada para diagnosticar e tratar doenças como o câncer. A capacidade dessa "supernanopartícula" tratar tumores já foi demonstrada em outro estudo, como mostrou o Jornal UFG.
O novo estudo revela que é possível selecionar nanopartículas magnéticas com características específicas para diferentes usos na área da saúde. Os pesquisadores conseguiram isso por meio de um método que usa campos magnéticos para separar os aglomerados conforme o seu tamanho, ajustando previamente as condições do meio líquido onde as nanopartículas estão dispersas. O processo é chamado de separação magnetoforética.
Os resultados mostram que o tamanho dos aglomerados de nanopartículas influencia diretamente o seu comportamento magnético e a forma como eles aquecem quando expostos à luz. Na prática, isso permite usar o mesmo material tanto para melhorar imagens de ressonância magnética quanto para aplicações terapêuticas baseadas em aquecimento localizado.
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"A possibilidade de modular simultaneamente as propriedades magnéticas, de contraste e fototérmicas a partir do controle do tamanho das estruturas multicore representa um avanço importante no design de nanopartículas para aplicações integradas de diagnóstico e tratamento, especialmente em oncologia", explica o professor do Instituto de Física da UFG Andris Bakuzis.
Também assinam o artigo Carlos Eduardo Ribeiro, egresso do curso de Física Médica da UFG e residente em Radioterapia do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, e Marcus Vinícius Araújo, doutor em Física pela UFG.
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Fonte: Secom UFG
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