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Universidade Federal de Goiás

Mogno africano é pesquisado por professores da UFG

Criada em 12/09/13 11:53. Atualizada em 21/08/14 11:47.

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Publicação da Assessoria de Comunicação da Universidade Federal de Goiás 
ANO VII – Nº 61 – AGOSTO – 2013

Mogno africano é pesquisado por professores da UFG

Apesar do grande valor econômico e da adaptação ao solo brasileiro, a falta de diversidade genética dos plantios do mogno africano no país preocupa pesquisadores

Texto: Laura Braga | Foto: Evandro Novaes e Sílvio Simões

 

Mogno Africano

 

O mogno africano (Khaya ivorensis) surgiu no Brasil como uma opção à extração do mogno brasileiro, que sofre ataques severos de pragas em plantios comerciais e que, por ameaça de extinção, teve seu corte, beneficiamento e transporte proibidos pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). A espécie, que também é tropical e se adaptou muito bem às condições climáticas do Brasil, produz madeira de alta qualidade. Com a cor avermelhada e de fácil manuseio, a madeira possui os ingredientes ideais para atender a demanda das indústrias moveleiras.

A árvore é nativa da Costa do Marfim, Gana e Angola, onde o comércio da espécie é feito desde o século passado. O mogno africano também foi introduzido na Ásia tropical, na América do Sul e na Oceania. No Brasil, o desenvolvimento dessa planta é mais satisfatório do que em suas regiões de origem, revelando que o país pode ser um grande exportador do produto.

Segundo o professor da Escola de Agronomia da UFG, Evandro Novaes, as espécies florestais mais cultivadas atualmente já são bastante exploradas e muito estudadas. Para ele, o interesse no mogno africano surgiu pelo fato de ser um objeto ainda pouco estudado e em ascensão. “Eu vi no mogno africano um bom nicho científico, além disso, eu acredito no potencial da espécie, por ter uma madeira nobre, com qualidade similar a do mogno brasileiro. Mas é um investimento a longo prazo, já que a árvore é geralmente cortada com no mínimo quinze anos”.

Evandro Novaes trabalha com o melhoramento genético do mogno africano. De acordo com ele, há aproximadamente 30 anos, algumas sementes foram trazidas para o Brasil e geraram quatro árvores, em Belém do Pará. O que se sabe é que as sementes geradas por essas árvores abasteceram grande parte dos plantios do país.

Pesquisa mogno Africano

Engenheiro agrônomo e proprietário da empresa Mudas Nobres, João Augusto Silva, e o professor Evandro Novaes

A pesquisa do professor Evandro Novaes é realizada em uma fazenda cuja floresta de mogno africano possui 15 anos e foi implantada a partir de sementes trazidas da África, em uma segunda ocasião. O trabalho nessa área consiste na seleção de aproximadamente 50 árvores e em comprovar que elas são melhores geneticamente. Segundo ele, a madeira das árvores pode ser de boa qualidade por dois fatores: a genética da planta ou as condições ambientais nas quais ela se encontra. Nesse caso, o que interessa aos estudos é a seleção de árvores geneticamente melhores, pois é o componente genético que vai ser passado para as próximas gerações. “Nós clonamos as árvores e estamos multiplicando-as. A partir dessa multiplicação, poderemos comprovar que os clones possuem alta produtividade e, de fato, são geneticamente superiores. Outra coisa que a gente quer tentar é induzir o florescimento do mogno, já que a espécie demora cerca de doze anos para chegar nessa etapa de desenvolvimento. Se conseguirmos isso, será possível cruzar duas plantas superiores, gerando descendentes ainda melhores”.

A professora da Escola de Agronomia da UFG, Sybelle Barreira, que também está envolvida em pesquisas sobre o mogno africano, mostrou durante o II Workshop Brasileiro de Mogno Africano resultados de inventários florestais dos anos de 2012 e 2013 feitos por ela e por seus alunos. Os dados confirmam que o desenvolvimento do mogno africano, no Brasil, é melhor do que em seus países de origem. “O crescimento de mogno africano, no Brasil, é superior as suas regiões de origem. Mas como a espécie tem poucos anos de plantio no Brasil não temos dados médios de crescimento. Não tenho dúvidas, o mogno africano está totalmente adaptado ao Brasil e o estado de Goiás não apresenta diferenças com as outras regiões do país em termos de volume”, disse a professora.

Plantação Mogno Africano

Visita dos participantes do workshop à Fazenda Sozinha, da empresa Mudas Nobres, em Bonfinópolis

II WORKSHOP BRASILEIRO DE MOGNO AFRICANO

Nos dias 16 e 17 de agosto, Goiânia sediou o II Workshop Brasileiro de Mogno Africano, realizado pela empresa Mudas Nobres, parceira da UFG nas pesquisas sobre a espécie. O evento, que ocorreu no Centro de Convenções da capital, tinha caráter técnico-agronômico e científico, destinado a investidores do setor florestal, produtores rurais e estudantes.

No evento, foram exploradas as potencialidades comerciais do mogno africano; esclarecidas dúvidas sobre o plantio e também ocorreu um curso prático sobre o cultivo da árvore.

O professor Evandro Novaes, em sua palestra no workshop, falou sobre o seu estudo de melhoramento genético e sobre a variabilidade genética das árvores no Brasil, já que, pelo que se sabe, a grande maioria das sementes veio das mesmas matrizes. Assim, o pesquisador demonstrou preocupação com a falta de diversidade genética dos plantios do país e, por isso, tem estudado uma maneira de viabilizar uma maior variedade de clones produtivos.

Workshop Mogno Africano

Exemplares do mogno africano no II Workshop Brasileiro de Mogno Africano

Fonte: Ascom UFG

Categorias: pesquisa Genética mogno africano

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