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Universidade Federal de Goiás

UFG é 100% SiSU

Criada em 18/11/14 09:33. Atualizada em 24/11/14 11:38.

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Publicação da Assessoria de Comunicação da Universidade Federal de Goiás 
ANO VII – Nº 69 – Novembro/Dezembro– 2014

UFG é 100% SiSU

Confira como a adesão integral da UFG ao SiSu repercutiu no ensino de três colégios diferentes

Texto: Camila Godoy | Foto: Adriana Cristina

 

Durante muito tempo o Vestibular da Universidade Federal de Goiás (UFG) norteou os estudos de milhares de estudantes do ensino médio interessados em ingressar na instituição. Porém, em maio de 2014, a UFG aderiu integralmente ao Sistema de Seleção Unificada (Sisu), substituindo o Processo Seletivo tradicional pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). A mudança repercutiu em escolas de todo o Estado de Goiás que alteraram suas práticas pedagógicas para melhor se adequarem ao estilo da prova.

O fato de direcionar planos pedagógicos a processos seletivos não é novidade e sempre foi alvo de críticas. A psicopedagoga Cristiane Silva, por exemplo, alerta que a excessiva atenção à meritocracia dos exames e vestibulares não é saudável. “Muitas escolas se esqueceram do caráter formador típico dessa etapa. O ensino médio é uma fase importante para o indivíduo se conhecer e se socializar, a aprovação em processos seletivos é apenas uma consequência”, defendeu.

 

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REDE PRIVADA

Apesar disso, a diferença nos estilos de provas do Enem e do Vestibular da UFG não passou despercebida por gestores de muitas instituições. No Colégio Protágoras, escola privada de Goiânia, a decisão de adesão integral da UFG ao Sisu resultou na redistribuição dos conteúdos em grandes áreas e na oferta de aulas temáticas, em que um assunto é trabalhado por professores de áreas distintas em uma mesma sala de aula. O diretor do colégio, Marcos Araújo, explicou as mudanças: “Ao invés de Biologia, Física e Química, temos Ciências da Natureza e suas Tecnologias. Em relação às aulas temáticas, se o tema for, por exemplo, Radioatividade, explicamos a história da Segunda Guerra Mundial e a Física e a Química envolvidas no funcionamento da bomba atômica”.

Além disso, o diretor também aponta que a maioria de seus alunos escolhe o curso de Medicina e, por isso, desde o primeiro ano do ensino médio, todos são submetidos a um pesado ritmo de estudo: “Nós preparamos para os estudantes curso de maior concorrência, porque temos a filosofia de que quem se prepara para Medicina, se prepara para qualquer outro curso, apesar de sabermos que o melhor é aquele que o aluno quer fazer, independente da área. Queremos formar bons cidadãos e também que eles tenham notas altas nos vestibulares e no Enem”.

REDE ESTADUAL

Já os perfis dos mais de mil alunos do Colégio Estadual Santa Luzia, localizado em Aparecida de Goiânia, são bem diferentes. O diretor da escola, Glodiomez Correia, diz que lá existem alunos que se destacam e correm atrás da aprovação nos processos seletivos, mas também há aqueles que só querem terminar o ensino médio por conta do mercado de trabalho ou porque os pais obrigam e, em sua escola, estes são maioria.

Segundo Glodiomez Correia, o principal desafio que sua gestão tem encontrado é conscientizar os estudantes de que o ensino é um direito e que como tal deve ser reivindicado: “Todos os dias encontramos alunos que torcem para não terem aula. Geralmente, esse tipo de estudante não se preocupa com os Processos Seletivos das universidades, nem cogita continuar os estudos depois do terceiro ano do ensino médio, às vezes, alegando falta de oportunidade e outras, por desinteresse”.

Ainda assim, o diretor afirma que o clima na escola foi de entusiasmo ao receberem a notícia da adesão integral da UFG ao Sisu. “Muitos achavam que o Vestibular era uma etapa intransponível, só para a elite. Agora, esses alunos não têm mais a desculpa de que o Processo Seletivo é um empecilho para estudar na instituição”, disse. Glodiomez Correia, contudo, enfatiza que a medida não resolve, mas contribui com a democratização do acesso à UFG.

No Colégio Estadual Santa Luzia já era comum a elaboração de provas por grandes áreas, ao estilo do Enem, desde sua inauguração, em 2003. No entanto, a equipe de docentes considerou que esse método avaliativo não era o mais adequado. Para o diretor, a decisão pode ser repensada. Hoje, somente os simulados são por áreas e realizados bimestralmente.

COLÉGIO DE APLICAÇÃO

A ex-diretora do Centro de Ensino e Pesquisa Aplicada à Educação (Cepae) da UFG, Maria José Oliveira de Faria Almeida, que esteve à frente da instituição por oito anos, destaca que o objetivo do Cepae não é preparar o aluno para os processos seletivos, e sim para a vida. Maria José Oliveira diz com orgulho que todos os seus 180 alunos do ensino médio do colégio são extremamente questionadores e estimulados a reivindicarem toda ordem de direitos. “Alunos questionadores nos fazem repensar práticas, porque não somos donos da verdade”, confirmou.

Com a adesão integral da UFG ao Sisu, a ex-diretora afirma que os simulados do colégio deixarão de seguir os padrões do Centro de Seleção (CS) da UFG. Maria José Oliveira explica que, a partir deste ano, questões de Educação Física, Filosofia e Sociologia serão cobradas, assim como acontece no Enem.

Outra provável mudança será o fim do projeto de extensão que analisa obras literárias exigidas no Processo Seletivo: “Era um projeto aberto à comunidade, muito requisitado, atuante há mais de 20 anos e que já chegou a receber mais de três mil inscritos. As análises eram verdadeiros estímulos aos estudos de literatura”.

DESAFIOS

O ensino médio brasileiro possui tantos quesitos e missões, que muitos educadores se sentem perdidos sobre quais pontos priorizar. O superintendente do ensino médio em Goiás, professor Fernando Pereira, considera que por esse motivo, essa etapa se tornou o principal problema da educação: “É ilógico termos 14 disciplinas obrigatórias nessa fase de ensino. Estamos muito preocupados com o currículo”.

A professora da Faculdade de Educação (FE) da UFG, Amone Inácia, lembra que os alunos, em geral, têm muita dificuldade de unir e inter-relacionar as disciplinas, que são muitas, plurais: “Precisamos aprender a trabalhar por grandes áreas, inclusive na universidade”, disse.

Categorias: Sisu Processo seletivo Educacão

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